O convite de Trump para o Brasil integrar o “Conselho da Paz” em Gaza não é uma proposta de paz. É uma estratégia de controle, uma tentativa de recolocar o Brasil como país subordinado dentro de uma arquitetura de poder paralelo, onde os EUA determinam narrativa, regras e direção.
Se a lógica fosse reconstrução e justiça, os EUA fariam o que é óbvio: incluir representantes palestinos com voz real, apoiar uma resolução multilateral de mediação e parar com a normalização da violência e da ocupação. Mas não. Eles querem um cenário onde a narrativa é controlada, onde a “paz” vira produto e o Brasil vira avalista.
O Brasil tem que decidir se vai ser peça de legitimação ou força de ruptura. Participar sem condições significa conivência com uma estratégia predatória, aceitar a invisibilização da autodeterminação palestina e se submeter a um modelo de tutela externa. É voltar ao padrão de submissão geopolítica, onde a diplomacia brasileira vira instrumento de um projeto que não serve ao povo brasileiro.
• legitimação de uma hegemonia em reconstrução
• risco de invisibilização da autodeterminação palestina
• reforço da lógica de poder paralelo e tutela externa
• pressão sobre a tradição diplomática brasileira
• retorno ao padrão de submissão geopolítica
A participação só faria sentido se houver voz palestina autêntica, representação real e condições que impeçam o conselho de se tornar instrumento de controle político e econômico. Sem isso, o Brasil vira avalista de um poder paralelo que usa a palavra paz para camuflar dominação e controle.
O Brasil vai ser avalista do poder paralelo dos EUA ou vai reagir com soberania mínima e dignidade?
Analista geopolítico: Christian Wagner Barbalho
Christian Wagner Barbalho, analista geopolítico tecnológico
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